mÓBRISA

Sua bela face tinha a serenidade de uma flor ao ser tocada pelos raios de sol suavemente 
E o orvalho doce em sua pele
Se a fragilidade cintilava em meus olhos, não o sei
Com gosto redobrado, aguardei o fim de tarde do dia seguinte
O seu cheiro apetitoso enchia o ar
O relógio arrastava-se pelas horas
A escuridão caía quando você entrou pela porta
Meu cumprimento foi de pura alegria
Você se aproximou como pássaro de mau agouro
E eu estava à beira de um colapso
Meu estômago protestava
A lembrança daquela saída noturna permanece nítida em minha memória
Como a que temos das horas mais perfeitas da vida
Os seus beijos intensos não me impediram de te perceber vibrando
Nos encontrávamos a sós ao relento do mar
Observei com sutileza seus trejeitos
Só o que consigo ver é seu olhar fissurado no meu
Assim você me deixou fascinada, quando sorriu alegremente
Minha vergonha era tanta que me sufocou
Mas os torturantes dias sem você não foram tão facilmente esquecidos
A saudade ardia no meu peito
Arrisquei falar o quanto gosto de você, ME ENTREGUEI
Sinto-me confusa, ao querer só sentir o seu cheiro 
Imagine que eu nunca tinha me sentido desse jeito
Senti suas doces palavras atravessarem meu corpo
Desvanecia-se em mim a ilusão de que aquele momento era pra sempre
E que os imperativos do corpo suplantam os da alma 
Ah, seu eu pudesse congelar aquele momento e torná-lo infinito
Vibrava em mim o amor mais puro
Naquela hora e lugar, provei a total suficiência do amor
O meu maior tesouro foi desfrutar, dentre posteriores incessantes experiências, o gosto do seu beijo
E o aconchego que tinha em seu abraço.

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